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A CAA em instituições: o que prever e como começar
A CAA em instituições: o que prever e como começar
Alexandros

Escrito por Alexandros SIDIRAS GALANTE em domingo 12 julho 2026, atualizado em quarta-feira 14 outubro 2026

Tempo estimado de leitura ~ 4 minutos

A sua instituição deve oferecer comunicação alternativa e aumentativa (CAA)? Na França, desde uma instrução nacional de junho de 2025, a CAA deixou de ser uma boa prática deixada à iniciativa de alguns profissionais: as instituições e os serviços especializados precisam garantir o acesso à comunicação de todas as pessoas acompanhadas que precisam dela. Este guia reúne o que essa exigência tem de útil para qualquer instituição: o que um plano de CAA deve prever, um método em 6 etapas para começar e materiais gratuitos para imprimir.

Por que a comunicação é um direito

Os artigos 2 e 21 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU) reconhecem os modos de comunicação alternativos e aumentativos e a liberdade de expressão. O texto francês lembra também que as pessoas impedidas de se comunicar são alvos preferenciais da violência, porque não conseguem denunciá-la.

O que um plano de CAA da instituição deve prever

A instituição precisa assumir plenamente a CAA para todas as pessoas acompanhadas que têm necessidades específicas de comunicação. Isso se traduz em quatro frentes de trabalho.

1. Avaliar sistematicamente as necessidades de comunicação

A instituição deve adotar uma abordagem global para sistematizar a avaliação das necessidades de comunicação e ter os meios de responder a elas. A avaliação segue o modelo de participação: serve para identificar os potenciais e as alavancas, nunca para concluir que uma pessoa “não estaria pronta”. Não há limite de idade nem pré-requisitos. A condução prática dessa avaliação está detalhada em Implantar a CAA em equipe.

2. Registrar o direito à comunicação nos documentos da instituição

Os documentos da instituição devem lembrar explicitamente o direito de acesso à comunicação: projeto institucional, contrato, manual de acolhimento, regimento interno, instâncias de participação dos usuários e das famílias. É um dos pontos mais fáceis de verificar, e por isso um dos primeiros a atualizar.

3. Deixar os meios de comunicação disponíveis o tempo todo

Pictogramas, sinais, pranchas de linguagem, tablets com síntese de voz: o que conta não é uma ferramenta, mas princípios. O meio de comunicação é a voz da pessoa. Ele é pessoal, disponível o dia todo, em todos os lugares e com todos os interlocutores, e não fica reservado a um horário da agenda. A abordagem é multimodal: vários meios se completam, sem hierarquia (veja O que é CAA?).

4. Formar as equipes e fazer as práticas evoluírem

Os parceiros de comunicação (profissionais, famílias, pessoas próximas) precisam ser formados para integrar a CAA em cada interação.

Como começar: o método em 6 etapas

  1. Fazer um diagnóstico da situação. Faça o levantamento das pessoas acompanhadas que têm necessidades específicas de comunicação e dos meios de que elas realmente dispõem no dia a dia.
  2. Designar um profissional de referência em CAA e envolver a direção: a CAA é um projeto da instituição, não assunto de um único profissional.
  3. Atualizar os documentos da instituição: projeto institucional, contrato, manual de acolhimento, regimento interno, pauta das reuniões com usuários e famílias.
  4. Implantar ferramentas imediatamente, mesmo simples: uma prancha de linguagem assistida afixada em cada sala já muda o dia a dia (veja o kit abaixo).
  5. Formar as equipes e as famílias, e incluir essa formação no plano de formação da instituição.
  6. Buscar apoio junto às associações e aos profissionais de CAA da sua região, como a ISAAC Brasil.

Para a avaliação, o papel do profissional de referência, a formação dos parceiros e o acompanhamento, veja Implantar a CAA em equipe.

Começar agora: materiais gratuitos para imprimir

Antes mesmo de escolher um aplicativo, materiais simples, gratuitos e para imprimir permitem lançar as bases da CAA ainda esta semana. Três bastam para começar.

Uma prancha de linguagem assistida

Prancha de linguagem assistida para imprimir, do kit de CAA

Afixada na sala ou colocada sobre a mesa, ela permite que toda a equipe aponte os pictogramas durante as interações, sem aparelho. É o ponto de partida mais acessível da CAA no dia a dia.

Uma agenda visual

Agenda visual com pictogramas para imprimir

Estruturar o tempo reduz a ansiedade, ajuda a antecipar e reforça a autonomia, sobretudo para as pessoas autistas ou com deficiência intelectual. Cada instituição a adapta aos seus horários e às suas atividades.

Uma sequência ilustrada

Sequência ilustrada passo a passo com pictogramas

Para as atividades que se repetem (refeição, arrumação, higiene), ela permite seguir as etapas e agir sem depender de uma instrução verbal.

Baixar os materiais para imprimir: uma prancha de comunicação, os livretos dos vocabulários do Pictalk Buddy e sequências para as atividades do dia a dia, sem cadastro. Para ir mais longe: Criar uma prancha de comunicação e Apoios visuais: agenda, sequências, temporizador.

Perguntas frequentes

É preciso comprar tablets para começar?

Não. Nenhuma ferramenta é obrigatória: a CAA pode começar com pictogramas, sinais e uma prancha de linguagem assistida impressa. As ferramentas digitais completam a abordagem.

Quem pode apoiar a minha instituição?

As associações especializadas em CAA e as equipes que já equipam instituições no dia a dia, como o Pictalk. Para as equipes, o Buddy Pro, já usado por mais de 140 instituições especializadas, permite organizar as pessoas acompanhadas em grupos e consultar diretamente o relatório de comunicação de cada uma.

Quer fazer um balanço da situação da sua instituição e ver como começar na prática? Agende uma conversa com a equipe.

Pictalk Buddy reúne pranchas de CAA, agenda visual, sequências guiadas e cadernos de vida, com os mesmos pictogramas, no Android, no iOS, na web e no relógio. Aplicativo com preço livre (você paga quanto quiser), desenvolvido por uma associação sem fins lucrativos. Conhecer o Buddy

Referências

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