A sua instituição deve oferecer comunicação alternativa e aumentativa (CAA)? Na França, desde uma instrução nacional de junho de 2025, a CAA deixou de ser uma boa prática deixada à iniciativa de alguns profissionais: as instituições e os serviços especializados precisam garantir o acesso à comunicação de todas as pessoas acompanhadas que precisam dela. Este guia reúne o que essa exigência tem de útil para qualquer instituição: o que um plano de CAA deve prever, um método em 6 etapas para começar e materiais gratuitos para imprimir.
Por que a comunicação é um direito
Os artigos 2 e 21 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU) reconhecem os modos de comunicação alternativos e aumentativos e a liberdade de expressão. O texto francês lembra também que as pessoas impedidas de se comunicar são alvos preferenciais da violência, porque não conseguem denunciá-la.
O que um plano de CAA da instituição deve prever
A instituição precisa assumir plenamente a CAA para todas as pessoas acompanhadas que têm necessidades específicas de comunicação. Isso se traduz em quatro frentes de trabalho.
1. Avaliar sistematicamente as necessidades de comunicação
A instituição deve adotar uma abordagem global para sistematizar a avaliação das necessidades de comunicação e ter os meios de responder a elas. A avaliação segue o modelo de participação: serve para identificar os potenciais e as alavancas, nunca para concluir que uma pessoa “não estaria pronta”. Não há limite de idade nem pré-requisitos. A condução prática dessa avaliação está detalhada em Implantar a CAA em equipe.
2. Registrar o direito à comunicação nos documentos da instituição
Os documentos da instituição devem lembrar explicitamente o direito de acesso à comunicação: projeto institucional, contrato, manual de acolhimento, regimento interno, instâncias de participação dos usuários e das famílias. É um dos pontos mais fáceis de verificar, e por isso um dos primeiros a atualizar.
3. Deixar os meios de comunicação disponíveis o tempo todo
Pictogramas, sinais, pranchas de linguagem, tablets com síntese de voz: o que conta não é uma ferramenta, mas princípios. O meio de comunicação é a voz da pessoa. Ele é pessoal, disponível o dia todo, em todos os lugares e com todos os interlocutores, e não fica reservado a um horário da agenda. A abordagem é multimodal: vários meios se completam, sem hierarquia (veja O que é CAA?).
4. Formar as equipes e fazer as práticas evoluírem
Os parceiros de comunicação (profissionais, famílias, pessoas próximas) precisam ser formados para integrar a CAA em cada interação.
Como começar: o método em 6 etapas
- Fazer um diagnóstico da situação. Faça o levantamento das pessoas acompanhadas que têm necessidades específicas de comunicação e dos meios de que elas realmente dispõem no dia a dia.
- Designar um profissional de referência em CAA e envolver a direção: a CAA é um projeto da instituição, não assunto de um único profissional.
- Atualizar os documentos da instituição: projeto institucional, contrato, manual de acolhimento, regimento interno, pauta das reuniões com usuários e famílias.
- Implantar ferramentas imediatamente, mesmo simples: uma prancha de linguagem assistida afixada em cada sala já muda o dia a dia (veja o kit abaixo).
- Formar as equipes e as famílias, e incluir essa formação no plano de formação da instituição.
- Buscar apoio junto às associações e aos profissionais de CAA da sua região, como a ISAAC Brasil.
Para a avaliação, o papel do profissional de referência, a formação dos parceiros e o acompanhamento, veja Implantar a CAA em equipe.
Começar agora: materiais gratuitos para imprimir
Antes mesmo de escolher um aplicativo, materiais simples, gratuitos e para imprimir permitem lançar as bases da CAA ainda esta semana. Três bastam para começar.
Uma prancha de linguagem assistida
Afixada na sala ou colocada sobre a mesa, ela permite que toda a equipe aponte os pictogramas durante as interações, sem aparelho. É o ponto de partida mais acessível da CAA no dia a dia.
Uma agenda visual
Estruturar o tempo reduz a ansiedade, ajuda a antecipar e reforça a autonomia, sobretudo para as pessoas autistas ou com deficiência intelectual. Cada instituição a adapta aos seus horários e às suas atividades.
Uma sequência ilustrada
Para as atividades que se repetem (refeição, arrumação, higiene), ela permite seguir as etapas e agir sem depender de uma instrução verbal.
Baixar os materiais para imprimir: uma prancha de comunicação, os livretos dos vocabulários do Pictalk Buddy e sequências para as atividades do dia a dia, sem cadastro. Para ir mais longe: Criar uma prancha de comunicação e Apoios visuais: agenda, sequências, temporizador.
Perguntas frequentes
É preciso comprar tablets para começar?
Não. Nenhuma ferramenta é obrigatória: a CAA pode começar com pictogramas, sinais e uma prancha de linguagem assistida impressa. As ferramentas digitais completam a abordagem.
Quem pode apoiar a minha instituição?
As associações especializadas em CAA e as equipes que já equipam instituições no dia a dia, como o Pictalk. Para as equipes, o Buddy Pro, já usado por mais de 140 instituições especializadas, permite organizar as pessoas acompanhadas em grupos e consultar diretamente o relatório de comunicação de cada uma.
Quer fazer um balanço da situação da sua instituição e ver como começar na prática? Agende uma conversa com a equipe.
Pictalk Buddy reúne pranchas de CAA, agenda visual, sequências guiadas e cadernos de vida, com os mesmos pictogramas, no Android, no iOS, na web e no relógio. Aplicativo com preço livre (você paga quanto quiser), desenvolvido por uma associação sem fins lucrativos. Conhecer o Buddy
Referências
- DGCS, 2025, instruction n° DGCS/SD3B/2025/86 du 23 juin 2025, Bulletin officiel Santé - Protection sociale - Solidarité n° 2025/15.
- Nações Unidas, Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, artigos 2 e 21.