Seu filho se comunica com uma ferramenta de CAA: como levá-la para a escola e garantir que ela seja usada de verdade? Três alavancas: registrá-la no plano do aluno, formar os adultos que estão em volta dele e preparar as palavras de cada aula. Veja o ponto de partida e depois as práticas que fazem a diferença na sala de aula.
Qual é o ponto de partida: o plano do aluno
No Brasil, o apoio ao aluno com deficiência passa em geral pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE), e muitas escolas registram as adaptações num plano individual, o PEI (Plano Educacional Individualizado).
Peça que a CAA seja registrada no plano do aluno, com todas as letras: o aluno se comunica com uma ferramenta de CAA; essa ferramenta fica disponível o tempo todo (sala de aula, recreio, refeitório, passeios); os adultos também a usam. Depois, todos podem se apoiar nesse texto.
Quem fornece a ferramenta na escola?
Um tablet ou outra ferramenta digital pode ser um recurso de tecnologia assistiva disponibilizado pela escola ou pela rede de ensino, mas as regras e os prazos variam de um lugar para outro: pergunte à escola e ao professor do AEE. Para financiar uma ferramenta pessoal, veja Financiar a CAA.
Mediador escolar e AEE: quem faz o quê?
Mediador escolarPrimeiro parceiro de comunicação na sala de aula
AEEO professor do AEE, possível pessoa de referência em CAA
O mediador escolar, primeiro parceiro de comunicação
O mediador escolar (profissional de apoio) muitas vezes é o adulto que passa mais tempo com o aluno. Ele se torna um parceiro de comunicação precioso se dominar três gestos: modelar na ferramenta do aluno enquanto fala, esperar de 5 a 10 segundos antes de ajudar e nunca responder no lugar do aluno. Uma formação curta e prática basta para mudar esses hábitos: veja Modelar, esperar, responder.
O professor do AEE
O AEE, muitas vezes oferecido na sala de recursos multifuncionais, complementa o que o aluno faz na turma comum. O professor do AEE pode se tornar a pessoa de referência em CAA da escola (veja Implantar a CAA em equipe).
Como preparar as palavras antes de cada aula?
Na escola, o vocabulário muda toda semana: as plantas, depois os planetas, depois os vulcões. Um vocabulário social estável, mesmo rico, não basta para acompanhar o conteúdo (Westby, 1985, citado por Beukelman & Light, 2020). Organize um “circuito do vocabulário”:
- O professor envia com antecedência as palavras da próxima sequência didática ao fonoaudiólogo ou à família: uma lista de 10 a 20 palavras basta.
- As palavras do tema são acrescentadas numa página própria durante a sequência, e depois arquivadas no final (assim dá para voltar a falar delas).
- As respostas longas são preparadas em casa e gravadas para a aula: uma apresentação, uma poesia, a resposta a “o que você fez no fim de semana?”.
- As falas dos personagens são gravadas para as leituras em voz alta, assim como a frase que se repete no livro para os menores.
Escolha uma pessoa responsável pelos acréscimos: muitas vezes o fonoaudiólogo, a família ou o professor do AEE. O essencial é que a lista chegue antes da aula. No Pictalk Buddy, o vocabulário é sincronizado entre o tablet da escola e o celular da família, e as palavras nucleares não mudam de lugar quando se acrescenta uma página de tema.
Como adaptar a atividade em vez do aluno?
O modelo de participação (Beukelman & Mirenda) propõe observar o que os outros alunos fazem durante uma atividade, o que faz o aluno que usa a CAA e o que trava. Depois, ajusta-se uma ou mais alavancas:
| Alavanca | Exemplo |
|---|---|
| Quantidade | 5 questões em vez de 10 |
| Tempo | Mais tempo para compor uma resposta, ou uma resposta preparada |
| Nível de ajuda | Um adulto ou um colega |
| Apresentação | Instruções escritas ou em pictogramas, além das orais |
| Forma de responder | Mostrar a resposta certa entre quatro, separar etiquetas, soletrar |
| Dificuldade | A dificuldade da própria tarefa |
Exemplo: durante a leitura de um livro ilustrado, o aluno tem uma página com os personagens, alguns verbos (comer, correr, cair), três emoções, quem?, o quê? e “ah, não!”. Ele participa em vez de ouvir passivamente.
Como favorecer as trocas com os colegas?
Sem um plano preciso, os alunos que usam a CAA falam sobretudo com os adultos. Num estudo de observação, só 3% das interações deles eram com colegas, um terço deles não tinha nenhuma, e a ferramenta de CAA estava ausente em cerca de metade das oportunidades de comunicação (Andzik, Chung & Kranak, 2016).
- Apresente a ferramenta à turma: como funciona, como esperar a resposta.
- Prepare as palavras do recreio: brincadeiras, nomes dos amigos, “você vem?”, “é meu!”, “muito legal”.
- Acrescente perguntas para o outro (“e você?”, “o que você fez no fim de semana?”): elas deixam as conversas mais longas e mais agradáveis (Light et al., 1999).
- Organize brincadeiras em dupla em que o colega também usa os pictogramas.
E a leitura, a escrita?
A ortografia é o único meio de dizer de fato qualquer palavra, e portanto de ter acesso a todo o vocabulário do currículo. Ofereça um teclado desde o início, mesmo que o aluno ainda não leia, e inclua a ferramenta nas atividades de leitura: veja CAA e leitura.
Como ligar a casa e a escola?
- A mesma ferramenta em casa e na escola, com a mesma disposição das palavras. Não troque de ferramenta no momento de uma mudança de escola: uma transição de cada vez.
- Uma agenda escolar visual ou um caderno de vida digital, para contar o dia em casa e o fim de semana na escola.
- Um formato de arquivo aberto (OBZ) para compartilhar o vocabulário com o fonoaudiólogo, mesmo que ele use outro programa.
Perguntas frequentes
A escola pode recusar o tablet do meu filho?
Se a CAA está registrada no plano do aluno, a ferramenta faz parte das adaptações previstas. Em caso de dificuldade, peça uma reunião com a escola, o professor do AEE e a família.
O mediador escolar pode ajudar o aluno a encontrar as palavras?
Sim, se o aluno pedir: ele pode mostrar onde fica uma palavra. Mas nunca escolhe a resposta no lugar dele.
Pictalk Buddy reúne pranchas de CAA, agenda visual, sequências guiadas e cadernos de vida, com os mesmos pictogramas, no Android, no iOS, na web e no relógio. Aplicativo com preço livre (você paga quanto quiser), desenvolvido por uma associação sem fins lucrativos. Conhecer o Buddy
Referências
- Beukelman, D. R. & Light, J. C., 2020, Augmentative & Alternative Communication (5. ed.), Paul H. Brookes. Estudos citados: Westby (1985); Andzik, Chung & Kranak (2016); Light et al. (1999).