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PECS ou CAA robusta? Entenda as diferenças
PECS ou CAA robusta? Entenda as diferenças
Alexandros

Escrito por Alexandros SIDIRAS GALANTE em segunda-feira 28 setembro 2026, atualizado em quarta-feira 14 outubro 2026

Tempo estimado de leitura ~ 5 minutos

Seu filho usa o PECS e você se pergunta se deve passar para uma CAA robusta, com um vocabulário rico no tablet? As duas abordagens não têm o mesmo objetivo: o PECS ensina muito bem a fazer pedidos, uma CAA robusta busca permitir dizer tudo. É possível passar de um para o outro sem tirar nada da pessoa.

O que é o PECS?

O PECS (Picture Exchange Communication System, sistema de comunicação por troca de figuras) foi desenvolvido nos Estados Unidos em 1985 por Andy Bondy e Lori Frost, num programa público para alunos autistas de Delaware. O princípio: a pessoa entrega uma figura ao interlocutor para obter o que quer. A troca torna a intenção de comunicar muito visível e obriga a ir em direção a alguém.

O método segue seis fases, apresentadas aqui de forma simplificada:

  1. trocar uma figura por um objeto desejado;
  2. ir buscar a pasta e o interlocutor, mesmo à distância;
  3. escolher a figura certa entre várias;
  4. construir uma frase simples (“eu quero” + objeto);
  5. responder à pergunta “o que você quer?”;
  6. comentar (“eu vejo”, “eu ouço”).

O PECS é uma forma de CAA, muito estruturada. Uma metanálise encontra evidências moderadas a sólidas para o aprendizado de pedidos, mas poucas evidências para comentários (Ganz et al., 2012, citado por Beukelman & Light, 2020). Saber pedir reduz a frustração, mas também nos comunicamos para comentar, recusar, perguntar, contar. Como resumiu um pai citado por Beukelman e Light: a vida não se resume a biscoitos. Veja Além dos pedidos.

O que se chama de CAA robusta?

O termo se difundiu na prática clínica, sem uma definição única vinda da pesquisa. Um sistema é chamado de robusto quando permite, com o tempo, dizer praticamente tudo o que se quer, e cresce com a pessoa:

  • um vocabulário amplo: palavras nucleares para combinar (“mais”, “acabou”, “ir”, “não”) e palavras pessoais;
  • todas as funções comunicativas: pedir, recusar, comentar, perguntar, contar, brincar, dizer que algo não está bem;
  • posições estáveis, para que os gestos se tornem automáticos (veja Organizar a grade);
  • um caminho para a gramática: conjugação, concordância, palavras funcionais;
  • um acesso às letras, o único vocabulário realmente aberto;
  • disponibilidade permanente, em casa, na escola, na rua.
Quatro pictogramas lado a lado: duas setas em círculo (mais), duas mãos cruzadas (acabou), um boneco andando (ir), um X vermelho (não).
Palavras nucleares que se combinam com tudo: mais, acabou, ir, não.

Robusta não quer dizer complicada desde o primeiro dia: dá para começar com poucos botões visíveis e revelar os outros com o tempo, sem nunca mudar de lugar uma palavra aprendida.

PECS e CAA robusta: as diferenças

PECSCAA robusta
Objetivo principalIniciar um pedido a um parceiroComunicar por todos os motivos
RecursoPasta de figuras para trocarTablet, pasta com posições fixas, ou os dois
VocabulárioSobretudo nomes de objetos desejadosPalavras nucleares, palavras pessoais, frases prontas, letras
AprendizagemProtocolo em fases, com dicas (prompts)Modelagem em situação real, oportunidades, espera
VozNão, exceto na versão digitalSim, no tablet

Do lado da pesquisa, a modelagem, no centro de uma CAA robusta, é uma das estratégias com mais respaldo (veja Modelar, esperar, responder). Outros princípios, como o planejamento motor ou a organização em frases prontas, ainda foram pouco estudados.

Quando o PECS faz sentido?

  • para uma pessoa que ainda não vai em direção aos outros para se comunicar;
  • quando a troca física ajuda a entender que uma mensagem se dirige a alguém;
  • quando a equipe é formada no protocolo e o aplica em todos os lugares.

Nada impede, ao mesmo tempo, de modelar numa ferramenta mais rica: os dois podem coexistir.

Como passar do PECS para uma CAA robusta?

  1. Mantenha o que funciona. As figuras conhecidas, o hábito de ir até alguém e os pedidos aprendidos continuam sendo pontos de apoio.
  2. Use os mesmos pictogramas no início, para não ter que reaprender tudo.
  3. Acrescente primeiro palavras que não sejam substantivos: “mais”, “acabou”, “pare”, “ajuda”, “isso não”.
  4. Modele bastante, sem exigir nada no início.
  5. Diversifique os pedidos. Nem todos começam com “eu quero”; as primeiras combinações muitas vezes deixam o “eu” de lado.
  6. Dê palavras para comentar e recusar: “eca”, “legal”, “ah, não”, “agora não”.
  7. Dê tempo. Uma nova ferramenta se avalia ao longo de várias semanas, nas rotinas reais.
  1. Mantenha o que funcionaAs figuras conhecidas e o hábito de ir até alguém
  2. Acrescente palavrasPara combinar, comentar e recusar
  3. ModeleBastante, sem exigir nada no início
  4. Dê tempoVárias semanas, nas rotinas reais
Passar a uma CAA robusta sem tirar nada da pessoa.

Para escolher a ferramenta (papel ou tablet) e organizar um teste, veja Escolher a ferramenta de CAA. No Pictalk Buddy, os vocabulários PicTalk Essencial 24, PicTalk Trampolim 48 e PicTalk Horizonte 80 mantêm as palavras em posições fixas e oferecem uma frase-suporte “eu quero + palavra”, próxima da fase 4 do PECS. Materiais para imprimir estão disponíveis na página de recursos.

Perguntas frequentes

É preciso concluir as seis fases do PECS antes de passar para um tablet?

Não: não há pré-requisitos para a CAA. É possível introduzir uma ferramenta mais rica a qualquer momento e modelá-la em paralelo (veja Os mitos sobre a CAA).

Meu filho sabe pedir com o PECS: por que mudar?

Não se trata de tirar dele o que ele sabe. O objetivo é acrescentar palavras para comentar, recusar, fazer perguntas e contar.

Um tablet que fala vai impedi-lo de falar?

Não: a CAA não impede o surgimento da fala. O que dizem os estudos está detalhado em CAA e fala.

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Referências

  • Beukelman, D. R., & Light, J. C., 2020, Augmentative & Alternative Communication (5. ed.), Paul H. Brookes.
  • Estudo citado a partir de Beukelman & Light (2020): Ganz et al. (2012).
  • Bondy, A., & Frost, L., 1994, The Picture Exchange Communication System, Focus on Autistic Behavior, 9(3), 1-19.

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