Avaliações fonoaudiológicas, formações, aplicativos: a CAA tem seu próprio vocabulário, muitas vezes vindo do inglês. Aqui estão 53 termos definidos em uma frase com base em Beukelman e Light (2020), com o equivalente em inglês em itálico; um termo com link leva ao guia que o detalha.
A e B
Acionador (switch): botão grande ou sensor ativado por uma parte do corpo (mão, cabeça, pé) para selecionar, muitas vezes junto com a varredura.
Agenda visual (visual schedule): imagens ou fotos que mostram como se desenrola um dia ou uma atividade.
Baixa tecnologia / alta tecnologia (low-tech / high-tech): ferramentas sem eletrônica (pranchas de papel, pastas, alfabetos) ou com eletrônica (tablets, aparelhos que falam), complementares.
Banco de mensagens (message banking): frases escolhidas, gravadas com a própria voz antes de perder a fala, para serem tocadas depois.
Banco de voz (voice banking): cerca de 4 a 6 horas da própria fala gravadas para criar uma voz sintetizada parecida com a sua, que pode dizer qualquer coisa.
C
CAA (AAC, augmentative and alternative communication): comunicação alternativa e aumentativa, o conjunto dos meios que complementam ou substituem a fala e a escrita.
CAA com apoio / sem apoio (aided / unaided AAC): com um recurso externo (prancha, tablet) ou só com o corpo (gestos, sinais, expressões faciais).
CAA robusta (robust AAC): sistema que permite, com o tempo, dizer tudo (vocabulário amplo, todas as funções comunicativas, gramática, letras).
Cartão “Como falar comigo” (communication passport, introduction strategy): mensagem que explica a um novo interlocutor como a pessoa se comunica e como ajudá-la.
Cena visual (visual scene display, VSD): foto de um momento vivido com áreas que pronunciam palavras, útil para crianças pequenas e na afasia.
Coconstrução (co-construction): mensagem construída a dois, em que o parceiro propõe, adivinha ou completa e o usuário confirma ou corrige.
Código de cores de Fitzgerald (Fitzgerald key): cores de fundo atribuídas aos botões conforme o tipo de palavra (pessoas, ações, descrições…).
Competência comunicativa (communicative competence): capacidade de se comunicar com eficácia, que combina competências linguísticas, operacionais, sociais e estratégicas.
Controle pelo olhar (eye gaze, eye tracking): acesso pelo olhar, em que uma câmera acompanha os olhos e seleciona o botão fixado.
D a F
Dicionário de sinais (signal dictionary, gesture dictionary): documento que lista os gestos e sinais de uma pessoa, o que significam e a resposta esperada.
Dispositivo com saída de voz (speech-generating device, SGD): ferramenta eletrônica que pronuncia as mensagens (aparelho dedicado ou tablet com um aplicativo de CAA).
Escolhas escritas (written-choice conversation): o parceiro escreve em letras grandes 2 a 4 respostas possíveis para que a pessoa aponte a sua, sobretudo na afasia.
Expansão / reformulação (expansion / recast): retomar a mensagem da pessoa de forma mais completa, por exemplo “mais suco” para “mais”.
Funções comunicativas (communicative functions): motivos para se comunicar, como expressar uma necessidade, compartilhar uma informação, criar vínculo ou seguir as convenções sociais.
H a L
Hipótese menos perigosa (least dangerous assumption): na falta de prova, escolher a hipótese que causa menos dano se estiver errada, por exemplo supor que a pessoa entende.
Holófrase (holophrase): grupo de palavras usado como um bloco só, por exemplo “já acabou” ou “o que é isso?”.
Iconicidade (iconicity): grau de semelhança entre um símbolo e o que ele representa, de transparente (dá para adivinhar) a opaco.
LAMP (Language Acquisition through Motor Planning): método baseado em posições fixas e gestos repetidos para cada palavra.
Letramento (literacy): capacidade de ler e escrever, que pode ser ensinada a todos, sem pré-requisitos.
M a O
Mensagem para manter o turno (floorholder): mensagem que segura a vez de falar enquanto se compõe, por exemplo “Espera, estou escrevendo…”.
Modelagem (aided language modeling, aided input): o parceiro toca as palavras na ferramenta da pessoa enquanto fala; também chamada de estimulação de linguagem assistida ou imersão na linguagem.
Modelo de Participação (Participation Model): referencial de avaliação e intervenção que parte das atividades da pessoa e dos obstáculos à sua participação.
Multimodalidade (multimodal communication): uso combinado de vários meios de comunicação (gestos, sons, pictogramas, fala), sem hierarquia entre eles.
Necessidades complexas de comunicação (complex communication needs, CCN): a fala da pessoa não basta para se comunicar no dia a dia, seja qual for a causa.
OBZ (Open Board Format): formato de arquivo aberto para trocar pranchas de comunicação entre aplicativos compatíveis.
P
Parceiro de comunicação (communication partner): qualquer pessoa que interage com o usuário (pai ou mãe, professor, colega, cuidador).
Pasta de comunicação (communication book): pasta de papel com divisórias que reúne páginas de pictogramas, muitas vezes a primeira ferramenta e depois a cópia de reserva do tablet.
PECS (Picture Exchange Communication System): método em seis fases em que a pessoa troca uma figura pelo que quer.
Pictograma (symbol, pictogram): desenho simplificado que representa uma palavra ou uma ideia, tirado de bancos como o ARASAAC.
Planejamento motor (motor planning): princípio segundo o qual uma palavra fica sempre no mesmo lugar, para que o gesto se torne automático.
PODD (Pragmatic Organisation Dynamic Display): sistema de CAA criado por Gayle Porter, cujas páginas são organizadas em ramos pragmáticos.
Prancha de comunicação (communication board): página única de pictogramas, impressa ou exibida, muitas vezes ligada a uma atividade (refeição, banho, brincadeira).
Prancha de linguagem assistida (aided language board): prancha de pictogramas afixada ou colocada na mesa, que todos apontam enquanto falam.
Predição de palavras (word prediction): sugestão automática das próximas palavras prováveis, que economiza seleções.
Presumir competência (presuming competence): supor que a pessoa entende mais do que consegue expressar, e oferecer a ela um ambiente rico.
Programação na hora (just-in-time programming): acrescentar uma palavra à ferramenta durante a atividade, no momento em que ela se torna útil.
R e S
Ramos pragmáticos (pragmatic organisation): páginas organizadas pela intenção (conversar, pedir, dizer que algo não está bem) e não por categorias de palavras.
Reparo (repair): estratégia para restabelecer uma mensagem mal compreendida, repetindo-a ou modificando-a (acrescentar uma informação, simplificar, dizer de outro jeito).
Seleção direta (direct selection): a própria pessoa indica o botão, com o dedo, a mão, o olhar ou um ponteiro.
Sinais para palavras-chave (key-word signing): diz-se a frase inteira sinalizando apenas as palavras importantes, como no Makaton.
Síntese de voz (text-to-speech, TTS): voz gerada por computador que lê as mensagens em voz alta.
T e V
T2L (transition to literacy): a palavra escrita aparece em tamanho grande por cerca de 3 segundos quando se toca um símbolo, para apoiar a leitura.
Tempo de espera (wait time): pausa de 5 a 10 segundos dada à pessoa para se expressar antes de ajudá-la.
Treino de comunicação funcional (functional communication training, FCT): substituir um comportamento desafiador por uma mensagem com a mesma função, pelo menos tão fácil de produzir.
Varredura (scanning): os botões se acendem um após o outro e a pessoa ativa um acionador quando o certo está em destaque.
Varredura assistida pelo parceiro (partner-assisted scanning): o parceiro diz ou mostra as opções uma a uma e a pessoa sinaliza a certa.
Vocabulário nuclear (core vocabulary): pequeno conjunto de palavras muito frequentes e úteis em qualquer situação, como “mais”, “acabou” ou “ir”.
Vocabulário periférico e pessoal (fringe and personal vocabulary): palavras próprias de um assunto ou de uma pessoa (nomes, lugares, alimentos, paixões).
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Referências
- Beukelman, D. R., & Light, J. C., 2020, Augmentative & Alternative Communication (5. ed.), Paul H. Brookes.